Os francos formavam uma das tribos germânicas que adentraram o espaço do Império Romano a partir da Frísia como federados e estabeleceram um reino duradouro na área que cobre a maior parte da França dos dias de hoje e na região da Francônia na Alemanha, formando a semente histórica de ambos esses países modernos.

O Reino Franco passou por várias partilhas e repartições, já que os francos dividiam sua propriedade entre os filhos sobreviventes. Essa prática explica em parte a dificuldade de descrever com precisão as datas e limites físicos de quaisquer um dos reinos francos e quem reinou sobre as várias seções. A retração da alfabetização enquanto os francos reinaram agrava o problema: eles produziram poucos registros escritos.

De todos os povos bárbaros germânicos, os francos merecem especial atenção, pois conseguiram estruturar um poderoso Estado de grande significação na Alta Idade Média europeia.

Os francos formavam uma das tribos germânicas que entraram, ou invadiram, o espaço do império romano e estabeleceram um reino duradouro na área que cobre a maior parte da atual França e do leste da atual Alemanha.

De referir que, a palavra *franca*, vem do germânico antigo Frekkr e significava “livre”, “forte”, “ousado” e “corajoso” na língua franca. A liberdade não se estendia às mulheres ou à população de escravos que se instalou junto com os francos livres.

A respeito do início do Reino Franco não há muitas fontes históricas, uma vez que esse povo não conhecia a escrita. As principais informações a respeito desse povo são encontradas em relatos romanos.

No início do século 5 d.C., os francos se estabeleceram na província romana da Gália (atual França). No princípio, eles ajudaram a proteger as fronteiras romanas como aliados; quando uma grande invasão composta na sua maior parte de tribos germânicas orientais cruzou o Reno em 406, os francos lutaram contra esses invasores. A maior investida da invasão passou ao sul do rio Loire. (Na região de Paris, o controle romano persistiu até 486, uma década depois da queda dos imperadores de Ravenna, em parte devido às alianças com os francos.)

O reino franco formou-se e expandiu-se sob o governo de duas dinastias:

Dinastia dos Reis Merovíngios (séculos 5 a 8) – foi o período da formação do reino franco, das suas primeiras expansões territoriais e da aliança estabelecida entre o rei e a Igreja Católica Romana.

Dinastia dos Reis Carolíngios (séculos 8 e 9) – foi o período do apogeu dos francos, da sua máxima expansão territorial e da tentativa de se fazer ressurgir, sob o governo dos francos, um império universal e cristão

Reino Merovíngio

Os merovíngios foram uma dinastia franca sálios que governou os francos numa região correspondente a antiga Gália, onde estão localizados atualmente a França, a Bélgica, uma parte da Alemanha e da Suíça. Governaram da metade do século V à metade do VIII. Seus governantes se envolveram com frequência em guerras civis entre os ramos da família. No último século de domínio merovíngio, a dinastia foi progressivamente empurrada para uma função meramente cerimonial. O domínio merovíngio foi encerrado por um golpe de Estado em 755 quando Pepino o Breve formalmente depôs Quilderico III, dando início à Dinastia Carolíngia.

É assim denominada devido ao rei Meroveu, que chefiou os francos na luta contra os hunos. Os descendentes de Meroveu formaram a primeira dinastia, chamada de merovíngia.

Em termos efetivos, o primeiro rei merovíngio foi Clovis (neto de Meroveu), que governou durante vinte nove anos (482-511). Clovis conseguiu promover a unificação dos francos, expandiu seus domínios territoriais e converteu-se ao cristianismo católico.

Depois da morte de Clovis, seus quatro filhos dividiram o reino franco, enfraquecendo-o politicamente. Somente com o rei Dagoberto (629-639) houve uma nova reunificação dos francos. Entretanto, após sua morte surgiram novas lutas internas que aceleraram o desmoronamento do poder dos reis merovíngios.

Os sucessores de Dagoberto tiveram seus poderes absorvidos por um alto funcionário da corte, o prefeito do palácio (mordomo e administrador do reino) que, na prática, desempenhava o papel do verdadeiro rei, uma vez que os reis merovíngios, assumiram uma vida de prazeres e de ociosidade, o que lhe valeu o título de reis indolentes.

No final do século 7, o mordomo do palácio, Pepino de Herstal (679-714), tornou seu cargo hereditário. Seu filho e sucessor, Carlos Martel (714-741), adquiriu grande prestigio e poder, principalmente depois de conseguir deter o avanço dos árabes muçulmanos em direção à Europa Ocidental.

Foi na famosa Batalha de Poitiers, em 732, que Carlos Martel venceu o emir árabe Abderramã, contando com os esforços da infantaria dos francos. Interrompendo o avanço dos muçulmanos em direção à Europa, Carlos Martel ficou conhecido como o salvador da cristandade ocidental.

Ao morrer, Carlos Martel repartiu seus domínios entre seus dois filhos: Carlomano e Pepino, o Breve. Em 747 Carlomano entrou para a vida monástica, deixando para Pepino todos os poderes políticos deixados pelo pai. Em 751, Pepino destronou o último e enfraquecido rei merovíngio, Childerico III, e fundou a dinastia carolíngia, que tem esse nome em homenagem ao seu pai Carlos Martel.

O Reino Carolíngia

Surgimento

O território do Reino Franco, com as expansões desde 481 até 814. O historiador Perry Anderson fez uma análise sobre as invasões germânicas. Ele distingue duas ondas de invasões envolvendo várias tribos germânicas em que a primeira onda fragmentou o Império Ocidental, sua unidade econômica, política e militar, os responsáveis seriam os vândalos, alanos, visigodos e ostrogodos, burgúndios e suevos, porém, nesta primeira invasão não houve a criação de Estados “bárbaros” de longa duração. Segundo Anderson, foi a onda seguinte de invasões germânicas que determinou profundamente e de maneira permanente o último mapa do feudalismo ocidental. E é nesta segunda onda que encontramos os francos, que se estabeleceram quando Clóvis, o rei mais importante da dinastia merovíngia, domina os territórios que eram dos seus primos, os ripuários (francos das margens do Reno) e, em 491, quando submete os turíngios.

A Dinastia Carolíngia ou Carlovíngia é a designação dada ao período do reinado, durante a Idade Média, em grande parte da Europa, dos reis Francos que sucederam a Dinastia Merovíngia. Oficialmente inicia-se no ano 751, Século VIII, com a promulgação, em ofício da Igreja Católica pelo Papa Zacarias, a Pepino, o Breve, como rei dos francos – de 751 a 768 na história esta vem a ser a primeira investidura como soberano por determinação de um pontífice.

Pepino, o Breve, obteve o reconhecimento do papa Zacarias para o destronamento do último rei merovíngio, que se recolheu a um mosteiro. Eleito rei de todos os francos, Pepino foi abençoado solenemente pelo arcebispo Bonifácio, representante do papa.

Antes de morrer, em 768, Pepino dividiu reino entre seus dois filhos: Carlos Magno e Carlomano. Porém, três anos após receber sua parte no reino (771), Carlomano morreu e Carlos Magno tornou-se soberano absoluto do reino franco. Através de diversas guerras, Carlos Magno ampliou os domínios dos francos, apoderando-se de regiões como a Saxônia, Baviera, Lombardia (regiões ao leste da atual Alemanha) e quase toda a Itália. Suas conquistas trouxeram-lhe prestígio e poder. Carlos Magno foi coroado imperador e assim surgiu o Império Carolíngio.

Império Carolíngio

Sob o governo de Carlos Magno, os francos aliaram-se à Igreja católica. A Igreja desejava a proteção de um soberano poderoso e cristão que possibilitasse a expansão do cristianismo. Assim, no dia 25 de dezembro de 800, Carlos Magno recebeu do papa Leão III o título de imperador do Sacro Império Romano Germânico.

A formação desse Império pretendia reviver, através do novo imperador, a autoridade do Império Romano do Ocidente, desaparecido em 476 com as invasões germânicas. Desse modo, Carlos Magno foi coroado como legítimo sucessor dos grandes imperadores romanos.

Em princípio, o Império Bizantino não reconheceu o título concedido a Carlos Magno. Esse reconhecimento apenas aconteceu quando o imperador bizantino Miguel I exigiu, que concessões territoriais da região da Dalmácia e da Ístria passassem para o domínio bizantino.

A Administração do Império Carolíngio

O império Franco não tinha capital fixa. Sua sede dependia do lugar onde se encontrava o imperador e sua corte. De modo geral, Carlos Magno permanecia por maior tempo na cidade de Aix-la-Chapelle.

Procurando dar uma organização mais adequada aos usos e costumes vigentes no império, Carlos Magno baixou normas escritas conhecidas como capitulares.

A Divisão e a Decadência do Império Carolíngio

Ao morrer, em 814, Carlos Magno deixou o poder imperial para seu filho Luís I, o Piedoso. No reinado de Luís I, o Império Carolíngio ainda conseguiu manter sua unidade política, mas após sua morte, em 840, o império foi disputado por seus filhos, numa desgastante guerra civil.

Pelo Tratado de Verdun, assinado em 843, os filhos de Luís I firmaram a paz, estabelecendo a seguinte divisão do Império Franco:

– Carlos II, o Calvo, ficou com a parte ocidental, compreendendo a região da Franca atual;

– Luís, o Germânico, ficou com a parte oriental, compreendendo a região da Alemanha atual;

– Lotário ficou com a parte central, compreendendo regiões que estendiam da Itália até o mar do Norte.

Em cada uma dessas regiões carolíngias foi perdendo o poder, com as sucessivas divisões internas dos reinos. Assim, a unidade política realizada por Carlos Magno não conseguiu sobreviver um século depois de sua morte.

O desmembramento do poder real dos monarcas carolíngios foi acompanhado pela crescente independência e autonomia da nobreza agrária. Houve forte descentralização e fragmentação do poder político, evidenciando a crise interna vivida pelo império.

Renascimento Carolíngio

O Renascimento carolíngio ou Renascença carolíngia foi resultado de uma série de pequenos renascimentos que permitiu uma redescoberta de textos da antiguidade, uma reforma na educação a partir do saber clássico e uma inspiração na arte romana antiga para a produção artística carolíngia

O Renascimento carolíngio foi responsável por um verdadeiro renascimento administrativo e cultural através dos limites do Ocidente continental. O sistema de cunhagem de moedas foi padronizado, e recuperado seu controle central. Em muito próxima coordenação com a Igreja, a monarquia carolíngia patrocinou uma renovação da literatura, filosofia, arte e educação.

O legado deixado pela dita Renascença Carolíngia tem que ser visto com certo cuidado, já que o termo usa emprestado a alusão ao renascimento, porém, com as devidas ressalvas. É certo que Carlos Magno fez uma revolução a dar uma importância para as artes e criar escolas para que a população pudesse ser letrada, a partir do estilo clássico que tinha como base o trivium e o quadrivium.

Esse, então, possibilitou que no futuro algumas dessas escolas se tornassem universidades medievais, dessa base construída por Carlos é que pode ter surgido a filosofia cristã, a escolástica. De certa forma o renascimento instigado por Carlos era situada maioritariamente na igreja já que os monges que atuaram de forma efetiva na tradução de livros para o latim e criação de novas artes, então, se era ligado à igreja é importante pautar que não se aproximavam tanto quanto se parece, já que as obras estavam ligadas fielmente a Deus.